Pólo
O seu jornal de notícias impresso e na internet!

JORNAIS DA EMPRESA JORNALÍSTICA ACRM

Home Contato Culinária Diversão Editorial Educação Empresa Imóveis Negócios Notícias Parceiros Poesias Policial Política Saúde
JORNAL POLO PAULISTANO EM FLASH
EDITORIAl
CPI’s de Pizza em tempos de eleição

 

Por: Riselda Morais

Nos últimos dias, o que mais ouvimos falar é no senador Demóstenes Torres, Construtora Delta, Carlinhos Cachoeira, CPI mista do Cachoeira. Mista porque é instalada na Câmara dos Deputados e no Senado, em conjunto. Cachoeira porque não é a primeira vez que o dinheiro do povo vai rio abaixo, afinal, Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira foi o pivô da CPI dos Bingos em 2004, quando foi filmado negociando propina com o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, esta CPI terminou com o indiciamento de 79 corruptos, sendo o nome mais citado, o do então ministro Antonio Palocci.
Transações entre lobistas, empresários sem ética, sem moral e políticos sujos, existem o tempo todo, o que não existe é punição eficaz e devolução do dinheiro aos cofres públicos, a corrupção só aparece em ano de eleição, quando a roubalheira é usada para embates entre governistas e oposição para angariar votos de pessoas ingênuas, depois tudo acaba em pizza.
Nos últimos anos tivemos todos os tipos de CPI’s, em vários governos, de vários partidos, mas a tática continua a mesma e ao final, o prato principal permanece sendo a pizza. Tivemos a CPI do Mensalão, também com comissão mista, que iniciou-se com a compra de votos em 2005, passou pela distribuição de propina entre parlamentares, tendo como nome mais citado o empresário Marcos Valério e terminou em pizza. Também em 2005, tivemos a CPI dos Correios com a denuncia do mensalão, supostas mesadas pagas a parlamentares, o esquema de corrupção envolvia o diretor do Depto de Contratação e Adm. de Material dos Correios e Telégrafos, Maurício Marinho e o presidente do PTB Roberto Jefferson, teve 100 indiciados e também foi usada para embate entre governistas e oposicionistas. Em 2006 foi a vez da CPI mista dos Sanguessugas, quando foram desviadas verbas destinadas a compra de ambulâncias. Em 2007 foi realizada a CPI do Apagão Aéreo, cujo relator foi Demóstenes Torres, além de corrupção, a comissão investigou o desvio de dinheiro público da Infraero. Não se pode negar que Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira têm vasta experiência em CPI’s. Nesta, em que o “sujo investigava o mal lavado”, o relatório de Demóstenes foi rejeitado pelos membros da CPI. Também em 2007, foi instaurada a CPI das Escutas Telefônicas, quando ministros do Supremo Tribunal Federal foram vítimas de grampo ilegal. Só nesta CPI foram realizadas 102 reuniões, nela foi indiciado o banqueiro Daniel Dantas. Em 2008 foi a vez da CPI mista dos Cartões Corporativos, quando foi investigado o uso dos cartões por integrantes da administração pública federal , cujos gastos excessivos foram citados no relatório final como “equívocos“ e terminou em pizza. Além dessas águas sujas, passaram pelas cachoeiras da política, a CPI do Banestado que envolvia remessas ilegais de recursos entre US$ 80 bilhões e US$ 150 bilhões para fora do País, quando apesar do ex prefeito Celso Pitta e o ex presidente do Banco Central Gustavo Franco, terem sido indiciados, o relatório final sequer citou o ex prefeito Paulo Maluf ou chegou a ser votado. A CPI do Futebol apontou um arsenal de fraudes com cartolas e indiciou 17 por apropriação indébita, evasão de divisas, sonegação, lavagem de dinheiro e estelionato, o mais acusado foi o presidente da CBF Ricardo Teixeira. A CPI do Orçamento envolvia ministros, parlamentares e altos funcionários, os “anões do orçamento“ desviavam o dinheiro público para empreiteiras e apadrinhados políticos. A CPI do PC Farias investigou o esquema de corrupção de tráfico de influência, loteamento de cargos públicos e cobrança de propina, resultou no impeachment de Collor e na morte misteriosa de PC Farias, afinal, Collor confiscou a poupança de todo mundo. É interessante se perguntar: - Quantos desses indiciados foram ou estão presos e quantos reais devolveram aos cofres públicos?.
No mínimo, 6 dessas CPIs foram instauradas, depois de denúncias da revista Veja, coincidência?. Em cada uma dessas CPIs foram envolvidos o trabalho de no mínimo 171 dos 513 deputados e 27 dos 81 senadores, cada minuto de trabalho de um parlamentar, custa, segundo Transparência Brasil, R$ 11.545,00, as investigações duraram meses e outras anos, neste período foram convocados testemunhas, investigados e indiciados, durante as sessões muitos usaram o direito de permanecer calados.
Quanto custou todo esse tempo empregado em CPI’s? Além de nos roubar, ainda nos fizeram pagar para que, aqueles que deveriam elaborar leis atuais e justas, ficassem olhando para seus rostos cínicos enquanto silenciavam. Restou ao povo, as leis obsoletas que favorecem mais ao criminoso que ao cidadão e a conta para pagar. Resta-nos imaginar o sabor amargo da próxima pizza.

VOLTAR

ATENÇÃO: Melhor visualização em resolução de 1024x768

© Riselda Morais