Saúde

A luta contra a febre amarela

           O ano de 2018 mal começou e os relatos de casos da febre amarela têm provocado dúvidas e ansiedade na população. Isso porque a doença, provocada por um vírus cuja circulação está em expansão, já contaminou 213 pessoas e matou 81 desde julho de 2017, de acordo com o mais recente monitoramento do Ministério da Saúde, divulgado em 30 de janeiro de 2018. A doença é uma das mais temidas nas Américas.
          As primeiras manifestações da enfermidade são febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), hemorragias e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela, entretanto, as taxas de letalidade dos casos graves, no Brasil, oscilam entre 40 e 60%.
          Combatida por Oswaldo Cruz no início do século 20 e erradicada dos grandes centros urbanos desde 1942, a enfermidade voltou a assustar os brasileiros nos últimos dois anos, com a proliferação de casos, especialmente no verão. A principal arma contra a doença continua sendo a vacinação.           A vacina atenuada contra o vírus da febre amarela, utilizada no Brasil desde 1937, tem altos índices de segurança e eficácia. Sua produção é baseada na tecnologia de replicação de vírus em ovos embrionados, na qual cada ovo produz em torno de 400 doses da vacina.
          No Brasil, a vacinação é recomendada para toda a população, exceto para quatro grupos de pessoas:

  • crianças menores que seis meses de idade;
  • mulheres grávidas,
  • pessoas com histórico de hipersensibilidade aos componentes de vacina ou ovo;
  • pessoas com imunidade mais baixa por conta de doenças ou do vírus HIV.

          Isso ocorre porque a atual vacina utiliza o vírus atenuado — em que o vírus está vivo, mas enfraquecido e sem possibilidade de produzir a doença. Para imunizar as pessoas que não podem tomar a atual vacina, diversas pesquisas lançam mão da biotecnologia para desenvolver vacinas com a tecnologia do DNA recombinante, em que haveria inserção de genes no genoma do vírus. Um destes projetos está sob o comando da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Pernambuco. O centro estuda a eficácia de um imunizante preparado com base no material genético do vírus e deve iniciar em 2019 os testes clínicos. Para a diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani, essa estratégia já é utilizada contra outras doenças. “A biotecnologia, que já é uma aliada na produção de vacinas contra a dengue e a hepatite B, tem grande potencial para diversificar os métodos de combate à febre amarela”.

Macacos x febre amarela

     Assim como os seres humanos, os macacos são hospedeiros do vírus da febre amarela e não reservatórios da doença. Mas, se para nós a doença pode ser detida por meio da vacinação, para os macacos, não há vacinas e a enfermidade é fatal. As mortes de primatas indicam áreas de maior risco de transmissão do vírus e orientam as campanhas de vacinação. a morte dos animais pela doença é um alerta aos órgãos de saúde sobre a necessidade de vacinação da população humana nos arredores. Ou seja, eles permitem aos gestores de saúde implementar estratégias preventivas, antes de o vírus atingir populações humana.
          “Sem os macacos, estamos desprotegidos para perceber a chegada e os deslocamentos dos vírus”, alerta o biólogo Júlio Cesar BIcca Marques, em entrevista à revista Pesquisa Fapesp. Os macacos não transmitem o vírus diretamente às pessoas e acabam sendo vítimas duas vezes: da doença, à qual as espécies são muito sensíveis, e da perseguição das pessoas, que acham erradamente que eles transmitem a doença. Segundo a Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr), o Brasil vive um dos períodos de maior mortandade de primatas da história devido à febre amarela silvestre no país. O quadro pode levar à extinção de espécies, prejudicando todo o meio ambiente.
 Fonte: Redação CIB.
Sobre o CIB
          O Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), criado no Brasil em 2001, é uma organização não governamental, cuja missão é atuar na difusão de informações técnico-científicas sobre biotecnologia e suas aplicações. Na Internet, você pode nos conhecer melhor por meio do site www.cib.org.br e de nossos perfis no Facebook, no LinkedIn e no YouTube.

Por que ter os dentes brancos não significa necessariamente que estejam saudáveis

          A maioria de nós gostaria de ter um sorriso branco reluzente, capaz de causar inveja às celebridades de Hollywood.
          Estudos mostram que 18% a 52% das pessoas estão insatisfeitas com a coloração de seus dentes.
          Em países como os EUA, o branqueamento é um dos procedimentos dentários mais solicitados, enquanto os britânicos são muitas vezes alvos de piadas por seu sorriso amarelado.
          O Brasil também possui um dos principais mercados do setor, concentrando o maior número de dentistas do mundo. Segundo a consultoria Euromonitor, são 240 mil ou 15% de todos os profissionais do planeta.
           É de supor, portanto, que dentes brancos não sejam apenas atraentes, mas saudáveis.
          A tonalidade de nossos dentes depende de sua cor intrínseca, influenciada em parte por nossos genes e nossa idade, combinada com manchas causadas pelo fumo, pela comida, pelas bebidas e até alguns medicamentos.
          À medida que envelhecemos, nossos dentes também ficam cada vez mais amarelados, pois o esmalte começa a desaparecer, expondo a camada inferior, a dentina.

Manchas verdes

          As manchas acabam se sobrepondo nos dentes amarelados. Alimentos como molhos à base de tomate e café deixam para trás compostos coloridos chamados cromogênios, enquanto bactérias e fungos podem causar manchas verdes, acinzentadas e com aparência peluda.
          Muitos dos experimentos sobre a cor dos dentes foram realizados em tubos de ensaio em laboratórios, em vez de na boca de pessoas vivas.
          Na maioria das vezes, dentes de vacas são usados, porque permitem aos pesquisadores estudar uma área de superfície maior. Mas dentes humanos também são analisados.
          Um estudo realizado por Mark Wolff, da Universidade de Nova York, submergiu os dentes de vacas durante uma hora em chá preto, vinho tinto e vinho branco.
          Não causou surpresa que o vinho tinto tenha deixado as manchas mais fortes. Surpreendentemente, o chá preto não manchou os dentes, a menos que tivesse sido precedido de vinho branco.
          Segundo os cientistas, o teor de ácido do vinho fez com que o esmalte se tornasse um pouco mais poroso, permitindo, assim, que o chá deixasse sua marca.
          Essas manchas à base de alimentos e bebidas podem descolorir os dentes, mas não indicam que eles não são saudáveis. Você pode ter dentes brancos reluzentes e ainda ter infecções de gengiva ou cáries.
          Ao mesmo tempo, você pode ter dentes perfeitamente saudáveis que são brancos, amarelados ou até amarronzados.

‘Pontos escuros’

          Existe até mesmo um tipo de mancha que alguns pesquisadores acreditam que possa proteger nossos dentes contra as cáries.
          Parece uma borda escura, às vezes observada na linha da gengiva, ou uma série de pontos escuros. É conhecida como “mancha preta”.
          Embora sua causa venha sendo debatida há mais de um século, o entendimento médico é de que se trata de um tipo especial de placa formada por cálcio, fosfato, várias bactérias e uma combinação de ferro e cobre, o que dá origem à cor preta.
          Curiosamente, alguns estudos – mas não todos – descobriram que crianças com manchas pretas são menos propensas a ter cáries. Acredita-se que os micróbios presentes ali podem servir como proteção.
          É claro que, em alguns casos, a descoloração pode indicar apodrecimento ou outra doença. Por isso, é recomendável que as manchas sejam verificadas por um dentista.
          Mas, assim como os dentes brancos não são necessariamente saudáveis, os manchados também não são necessariamente ruins.
          Então, o que acontece se você ainda quiser dentes brancos reluzentes, independentemente do que dizem sobre sua saúde?
          Há toda uma gama de intervenções de clareamento a partir de pastas de dentes, fitas e géis.
          A maioria contém substâncias abrasivas que eliminam as manchas. Alguns até contêm um componente que adiciona um tom azulado aos dentes para neutralizar qualquer amarelamento, resultando em dentes que parecem ainda mais brancos.
          Os profissionais tendem a oferecer tratamentos que usam agentes branqueadores mais fortes do que os encontrados nos tratamentos caseiros. Mas sua eficácia varia consideravelmente. O branqueamento também pode causar sensibilidade temporária nos dentes ou nas gengivas de algumas pessoas.
          E, claro, a menos que você continue com um tratamento, a brancura só vai durar enquanto você evitar os alimentos e bebidas que causam as manchas.
          Mas pelo menos você sabe que não apresentar aquele sorriso branco de Hollywood não significa que você não tenha dentes saudáveis.

Enxaqueca aumenta risco de problemas cardiovasculares em homens e mulheres

   Quem sofre de enxaqueca tem mais chance de desenvolver problemas cardiovasculares, incluindo ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais, coágulos sanguíneos e uma frequência cardíaca irregular. É o que aponta um estudo publicado na quarta-feira (31) na revista científica “Britsh Medical Journal”.
          Ainda que estudos anteriores sugeriram uma ligação entre enxaqueca e acidente vascular cerebral e ataques cardíacos, particularmente entre as mulheres, o vínculo entre essa forte dor de cabeça e outros problemas cardíacos eram menos conhecidos.
          Mas, agora, pesquisadores do Hospital da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e da Universidade de Stanford, nos EUA, comprovaram que a enxaqueca –que atinge cerca de um bilhão de pessoas em todo mundo– deve ser considerada um fator de risco “potente e persistente” para a maioria das doenças cardiovasculares em homens e mulheres.
          Para chegar a essa conclusão, os cientistas examinaram os riscos das mais variadas doenças cardíacas [ataques cardíacos; acidente vascular encefálico; doença da artéria periférica (artérias estreitas que reduzem o fluxo sanguíneo para os membros); coágulos de sangue e frequências cardíacas rápidas e irregulares] tanto em pessoas que sofrem de enxaquecas como naquelas que não possuem dores de cabeça frequentes.

Método do estudo

          Foram analisados os dados dos pacientes do Registro Nacional Dinamarquês do Paciente de 1995 a 2013, com mais de 51 mil pessoas diagnosticadas com enxaqueca e mais de 510 mil pessoas que não tinham a doença.
          Cada pessoa com enxaqueca correspondia a 10 pessoas da mesma idade e gênero que não tinham enxaqueca. A idade média para o diagnóstico de enxaqueca foi de 35 anos e 71% dos participantes eram mulheres.
          Durante um período de 19 anos, os pesquisadores descobriram que a enxaqueca estava associada com ataque cardíaco, acidente vascular cerebral, coágulos sanguíneos e frequência cardíaca irregular.
          Por exemplo, para cada 1.000 pacientes, 25 pacientes com enxaqueca tiveram um ataque cardíaco. Considerado os pacientes sem dor de cabeça o número cai para 17 a cada 1.000 pacientes. Ao todo, 45 a cada 1.000 pacientes com enxaqueca tiveram acidente vascular cerebral isquêmico (coágulo sanguíneo no cérebro), contra 25 pacientes sem enxaqueca.
          As associações persistiram mesmo após a análise dos índices de massa corporal e tabagismo. Os pesquisadores, no entanto, não encontraram associação significativa com doença arterial periférica ou insuficiência cardíaca.
          As associações, particularmente para AVC, foram mais fortes no primeiro ano de diagnóstico das doenças cardiovasculares, em pacientes com aura de enxaqueca (sinais de alerta antes da enxaqueca, como ver luzes piscando) e em mulheres.

Possíveis motivos

          Os autores descrevem alguns dos motivos pelos quais a enxaqueca pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Segundo eles, pessoas com enxaqueca usam medicamentos anti-inflamatórios, que estão associados a riscos aumentados de problemas cardíacos. Além disso, citam ainda a relação dos ataques de enxaqueca ao aumento do risco de coágulos sanguíneos.
          “Nós agora temos muitas evidências de que a enxaqueca deve ser levada a sério como um forte marcador de risco cardiovascular”, mas “ações para reduzir o risco estão atrasadas”, argumentam os pesquisadores.
          Vale lembrar que este é um estudo observacional, portanto, nenhuma conclusão firme pode ser tratada sobre causa e efeito, e os autores não podem descartar a possibilidade de que outros fatores desconhecidos, como a atividade física, possam ter influenciado os resultados. 

SP investiga doze mortes por reação à vacina de febre amarela

VEJA.com / Giulia Vidale

© Reuters Em uma proporção de 1 a cada 500.000 pessoas, há uma reação grave à vacina de febre amarela com o desenvolvimento de um quadro semelhante à doença, chamado doença viscerotrópica aguda, que pode levar à morte.

          Segundo o secretário estadual da Saúde, David Uip, a maioria das vítimas não morava em área de risco. Além dos casos que estão em análise, o estado já confirmou três mortes por reação à vacina.

Como funciona a vacina

         A vacina contra a febre amarela é feita com vírus atenuado. Isso significa que ele se multiplica no corpo, mas tem uma capacidade de agressão reduzida, em comparação com o vírus vivo. “O vírus atenuado ensina o corpo a reconhecer o microrganismo causador da doença e a montar uma resposta imunológico que neutraliza esse vírus. Então, em dez dias, o organismo aprende a lidar com esse vírus e o elimina totalmente do corpo, criando uma resposta imunológica duradoura e 100% eficaz contra novas infecções. Por isso, se um dia esse organismo for submetido ao vírus vivo, eles já têm uma resposta pronta.”, explica Antônio Bandeira, coordenador de arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Possíveis eventos adversos

          Entretanto, o uso de um vírus atenuado significa que há uma capacidade e uma probabilidade de manifestações semelhantes à doença. Por isso, cerca de 5% das pessoas desenvolvem sintomas leves como febre, dor de cabeça e dor muscular de cinco a dez dias após a aplicação do imunizante.
          Mais raramente, em uma proporção de 1 a cada 500.000, há uma manifestação grave com um quadro semelhante à doença, chamado doença viscerotrópica aguda, que pode levar à morte. “É como se o vírus atenuado ganhasse força. Não sabemos por que isso acontece nem em quem vai acontecer. É uma reação associada ao organismo de cada um.”, diz Bandeira.
         Sabe-se, porém, que alguns grupos correm maior risco de apresentar essas reações. Exemplos: idosos, portadores de HIV, transplantados, gestantes ou pessoas com doenças autoimunes (como artrite reumatoide e lúpus) e pacientes com câncer devem consultar um médico para checar se o benefício da vacina compensa o risco.

Transplantes

          Nesta quarta-feira, o secretário revelou também que já foram realizados seis transplantes de fígado como opção de tratamento para pacientes com febre amarela grave no Estado de São Paulo. Cinco procedimentos foram realizados no Hospital das Clínicas, na capital, e todos os pacientes estão se recuperando. O sexto transplante foi realizado no hospital da Unicamp, em Campinas, e, infelizmente, o paciente não resistiu e morreu.
          Apesar de bem-sucedida, é preciso ressaltar que essa abordagem inédita tem alto custo. Segundo Uip, o valor gasto com um transplante dessa natureza é de cerca de 90.000 dólares (aproximadamente 306.000 reais).

Vírus da febre amarela deve seguir caminho do litoral pela Serra do Mar

Foto: Divulgação

          Após entrar na região da Cantareira pela fronteira com Minas Gerais, o vírus da febre amarela provavelmente seguirá seu caminho no Estado de São Paulo em direção à Serra do Mar, preveem as autoridades de saúde.
          Por essa razão, cidades do litoral como Guarujá, Ilhabela e São Sebastião, entre outras, foram incluídas na campanha de vacinação com doses fracionadas, iniciadas no último dia 25. Desde então, cerca de 1 milhão de pessoas foram vacinadas no Estado.
          Para Marcos Boulos, coordenador de Doenças da Secretaria da Saúde do governo Geraldo Alckmin (PSDB), a chegada ao litoral possivelmente não ocorrerá neste verão. “Se começar a aparecer casos na região de Angra dos Reis e Paraty, vamos saber”, disse.
          Por ora, isso não ocorreu. O litoral paulista não registra nenhum caso da doença, nem em humanos nem em macacos.
          A secretaria ressalta que pessoas sem indicação da vacina não devem correr aos postos, até porque o Estado registra três mortes por reação adversa à vacina e tem mais 12 sob investigação.
          Não devem tomar a imunização, por exemplo, crianças com menos de nove meses e pessoas imunossuprimidas.
          Quem está fora da área de recomendação de vacina, ou não pretende viajar a alguma, deve esperar a orientação médica ou das autoridades de saúde para tomar a vacina.

CORREDORES ECOLÓGICOS

          A previsão de rotas pelas quais a febre amarela pode avançar é feita desde o ano passado com base em corredores ecológicos: regiões de mata e rios por onde o vírus tem se disseminado.
          Mapeamento feito pela secretaria mostra que o vírus avançou por esses corredores desde 2016, chegando em três entradas. A primeira, pela região de São José do Rio Preto, no noroeste do Estado; a segunda, por Poços de Caldas, no sul de Minas, e a segunda, pela região de Extrema, cidade mineira na divisa com cidades paulistas da região da Serra da Cantareira.
          Essa terceira entrada seria a responsável pelos casos que ocorrem em cidades como Mairiporã (77) e Atibaia (17). O número de registros da doença no Estado aumentaram de 81 para 134 na semana passada, em relação à anterior.
          Uma hipótese da área técnica para a volta da circulação do vírus é o aumento da área de reflorestamento do Estado, que teria crescido 16% na última década. Com isso, fragmentos de mata antes separados podem ter voltado a ter interligações.

TRANSPLANTE E REMÉDIO

          Desde o início do ano, o Estado de São Paulo fez seis transplantes em pacientes com hepatite fulminante causada por febre amarela, cinco na capital, onde eles estão em recuperação, e um em Campinas, que não resistiu e morreu. A iniciativa é inédita no mundo.
          O secretário David Uip afirma ainda que está em desenvolvimento um protocolo para uso de medicamento contra hepatite C (sofosbuvir) para uso em parte dos casos de febre amarela, como antecipou a Folha. Parte dos doentes já estaria recebendo o tratamento, em comum acordo com os médicos.
          Segundo ele, a população de todo o Estado deve ser vacinada até o final, de forma gradual, com doses fracionadas.
          A imunização também será incluída no calendário de vacinação de crianças do país todo, por decisão tomada no ano passado pelo Ministério da Saúde. A data de início da medida ainda será definida. Com informações da Folhapress.

OMS alerta sobre resistência generalizada a antibióticos

Da ONU News
          A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou na segunda-feira 29/01 sobre a resistência generalizada aos antibióticos que são usados para combater bactérias que causam várias infeções. Os mais frequentes microrganismos causadores de doenças são a Escherichia coli,  que provoca infeções do trato urinário, e as bactérias Klebsiella pneumoniae, a Staphylococcus aureus e a Streptococcus pneumoniae, que causam a pneumonia, seguidas pela salmonella. A informação é da ONU News.
          A OMS lançou no início desta semana o Sistema Mundial de Vigilância da Resistência aos Antimicrobianos, visando “padronizar a coleta de dados dos países para dar uma imagem mais completa dos padrões e tendências” referentes ao assunto.
          Segundo a agência da ONU, o sistema não inclui dados sobre a resistência da bactéria que provoca a tuberculose, a Mycobacterium tuberculosis, porque o relatório global sobre a doença já inclui essas atualizações desde 1994.
          Um estudo da OMS analisou pacientes com suspeita de infeção sanguínea em diversos países, onde as bactérias resistentes a pelo menos um dos antibióticos variou de zero a 82%. A agência revelou ainda que a resistência à penicilina, usada há décadas para tratar a pneumonia, variou de zero a 5% entre os países que reportaram sua situação. E uma proporção entre 8% a 65% de infectados pela bactéria E. Coli apresentou resistência ao antibiótico ciprofloxacina que trata a infecção.
Brasil e Moçambique
          Brasil e Moçambique sãos os únicos países de língua portuguesa incluídos no Sistema Global de Vigilância Antimicrobiana da OMS, que envolve 25 países de alta renda, 20 de renda média e sete de baixa renda. Timor-Leste está ainda por adotar as regras do sistema de vigilância nacional. A OMS disse apoiar os países a criarem esses guias para que haja dados confiáveis e significativos sobre a sua situação. Edição: Augusto Queiroz.

Cigarro eletrônico pode aumentar riscos de câncer

e doenças cardíacas

Foto: Divulgação

          Fumar cigarro eletrônico pode aumentar o risco de vários tipos de câncer e doenças cardíacas, segundo os resultados preliminares de um estudo efetuado em ratos e células humanas.
        Este trabalho, que sugere que o vapor da nicotina pode ser mais nocivo do que se pensava, foi elaborado por investigadores da faculdade de medicina da universidade de Nova York e publicado na segunda-feira nos anais da Academia americana de ciência (PNAS).
           Os roedores foram expostos durante doze semanas ao vapor de nicotina equivalente em dose e duração a dez anos para os humanos.
       Ao fim do experimento, os cientistas constataram danos no DNA das células de pulmões, bexiga e coração desses animais, assim como uma redução do nível de proteínas de reparação das células nesses órgãos, diferentemente de outros ratos que respiraram ar filtrado durante o mesmo período.
      Efeitos adversos similares se observaram em células humanas de pulmão e de bexiga expostas em laboratório à nicotina e a um derivado cancerígeno desta substância (nitrosamina). Estas células aumentaram significativamente as taxas de mutação tumorais.Embora os cigarros eletrônicos contenham menos substâncias cancerígenas que os cigarros convencionais, o vapor poderia representar um risco maior para contrair um câncer pulmonar ou de bexiga e também desenvolver doenças cardíacas”, dizem os investigadores do estudo dirigido por Moon-Shong Tan, professor de medicina ambiental e patologias da universidade de Nova York.
          As fábricas de cigarros eletrônicos afirmam que são uma alternativa mais segura do que os produtos tradicionais de tabaco.

Conheça cinco motivos para doar sangue e salvar vidas

Ser doador voluntário faz bem para quem doa também; etapas para o processo são muito rápidas e não duram mais que uma hora

          Você sabia que o sangue é responsável por transportar importantes substâncias para o funcionamento do nosso organismo? Além disso, concentra quase todas as defesas do sistema imunológico do corpo. Por isso é tão importante doar sangue, uma ação que pode ajudar a salvar muitas vidas.
          Se você nunca doou, seja por medo ou falta de tempo, confira abaixo cinco motivos para ajudar quem precisa:
1- Uma única doação pode salvar até quatro vidas.
          Ajude quem mais precisa. Estes são os requisitos básicos para ser um doador:
– Estar em boas condições de saúde.
– Ter entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos (menores de 18 anos,  verificar documentos e formulário para autorização par a doação).
– Pesar no mínimo 50kg.
– Estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas).
– Estar alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem a doação).
– Apresentar documento original com foto emitido por órgão oficial (Carteira de Identidade, Cartão de Identidade de Profissional Liberal, Carteira de Trabalho e Previdência Social).
2- Doar sangue é um ato voluntário do bem! Faz bem para quem doa e para quem recebe
          A ciência avançou muito e fez várias descobertas. Mas ainda não foi encontrado um substituto para o sangue humano. Por isso, sempre que precisa de uma transfusão de sangue, a pessoa só pode contar com a solidariedade de outras.
          Doar sangue é simples, rápido e seguro. Mas, para quem o recebe, esse gesto vale a própria vida. Ser doador voluntário faz bem para quem doa também. A satisfação de salvar vidas é a maior recompensa.
3- A Pró-Sangue disponibiliza serviço de van para buscar os doadores.
          A Fundação Pró-Sangue disponibiliza uma van para grupos de no mínimo 10 e no máximo 15 pessoas. O serviço está disponível às segundas, quartas e sextas-feiras e aos fins de semana, das 9 às 15 horas.
          O agendamento deve ser feito com pelo menos dois dias úteis de antecedência, desde que a localização não ultrapasse um perímetro de 10 quilômetros do posto escolhido e o horário solicitado esteja dentro do horário de atendimento. O serviço busca e leva de volta ao local de saída.
          Para realizar o agendamento, basta enviar um e-mail para: agendamentogrupos@prosangue.sp.gov.br.
4- A doação é rápida! Todo o processo não dura mais que 1 hora.
          Doar sangue é muito simples e fácil. As etapas para o processo são: cadastro (ou registro) do doador, triagem clínica que inclui teste de anemia, verificação da pressão arterial, batimentos cardíacos, peso, temperatura e questionário sobre sua saúde, voto de auto exclusão, o ato da doação e o lanche pós-doação.
5- O doador tem direito a um dia de folga no trabalho.
          Você sabia que quem faz a doação tem direito à folga no trabalho? Aqueles que doarem sangue têm direito a um dia de folga a cada 12 meses trabalhados, desde que a doação esteja devidamente comprovada, de acordo com os termos previstos no Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 (Consolidação das Leis do Trabalho).
          Esse direito também se estende ao funcionário público civil de autarquia ou militar, conforme preconizam a Lei Federal nº 1.075, de 27 de março de 1950, bem como a Lei Estadual nº 3.365, de 6 de junho de 1956. Apesar da legislação vigente, vale ressaltar que a doação de sangue é um gesto voluntário e altruísta e, portanto, não deve ser encarada como um benefício próprio.

Doação de órgãos: um ato de amor que salva vidas

Para ser doador não é necessário deixar documento por escrito, basta autorização dos familiares, após o diagnóstico de morte encefálica         

Foto: Alexandre de Carvalho

          No último dia 27 de setembro foi celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos. Na ocasião, o Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP promoveu uma campanha para incentivar a doação de órgãos, reforçando a importância desse ato fundamental para salvar vidas de quem necessita de transplante.
          A campanha foi coordenada pelas unidades de Transplantes de Fígado e Órgãos do Aparelho Digestivo e de Gastroenterologia e Hepatologia Clínica, OPO – Organização de Procura de Órgãos do HC-FMUSP, com apoio da ONG Viva Transplante.
          Em 2016, o Instituto Central do Hospital das Clínicas da FMUSP realizou 518 transplantes, sendo 195 de rim, 117 de medula óssea, 101 de fígado, 94 de córnea e 11 de pâncreas. No entanto, o número de pacientes na lista de espera é grande. Em São Paulo, por exemplo, quase metade dos pacientes que precisam de um transplante de fígado morre durante a espera pelo órgão.
          Segundo dados do Sistema Estadual de Transplantes de São Paulo, atualmente existem muitas pessoas na fila à espera de transplantes de coração (194), córnea (3.487), fígado (962), pâncreas (50), pulmão (101), rim (13.011) e pâncreas/rim (513).
          Para ser doador não é necessário deixar documento por escrito. Basta autorização dos familiares, após o diagnóstico de morte encefálica. É preciso que as pessoas superem as barreiras de diversas naturezas e manifestem aos familiares o desejo de serem doadoras. E esse desejo precisa estar bem explícito para a família. Para Estela Azeka, médica do Incor, é difícil convencer as pessoas no momento de extrema dor em que elas se encontrem em choque de aceitar a doação. A médica lembra que todo mundo pode ser um doador e quem vai determinar se o órgão é compatível é a equipe que vai fazer o transplante.
          “O ideal é criar uma cultura de doação independente da situação. Se você não está a todo o momento relembrando da necessidade, isso acaba sendo esquecido. A gente percebe uma predisposição maior sempre nos momentos durante e imediatamente após as campanhas de doação de órgãos. É importante conscientizar a população que doar é um ato de amor, e que ao doar um órgão a pessoa está ajudando outras que também estão passando por um momento difícil”, diz Azeka.
O Incor – Este ano, o programa de Transplante Cardíaco Infantil completou 25 anos, já o Incor comemorou 40 anos em janeiro de 2017. O primeiro transplante infantil aconteceu em 30 de outubro de 1992. O paciente foi um bebê recém-nascido, que recebeu um coração novo porque a alternativa era a cirurgia Norwood. Por ser de alto risco, a cirurgia foi descartada pelos pais, que optaram pelo transplante. De 1997 até 11 de julho deste ano, o Incor já realizou 213 transplantes em crianças e 456 transplantes em adultos. Desse total, apenas nove pacientes tiveram de fazer um novo transplante. A partir de 2000, o Incor também passou a fazer cirurgias de transplantes de pulmão. Já foram feitos 319 transplantes do tipo, desde então (até 11 de julho deste ano). Em 2017, o Incor já realizou nove transplantes infantis, até o momento. “A média no exterior é de 10 transplantes anuais e nós já chegamos a fazer 15 transplantes durante o ano”, afirma Azeka, que regressou de Barcelona, Espanha, para participar de um encontro internacional de médicos.
Zerbini – Os transplantes são motivo de comemoração para o Incor, pois apresentam resultados de sobrevida de 60 a 70% no período de dez anos, para mais de 100 pacientes transplantados. Azeka diz que hoje os transplantes fazem parte da rotina do Incor, mas que foi preciso superar muitos desafios para chegar a esse estágio em que é possível salvar a vida de muitas pessoas. O Incor está entre as principais centros de transplantes no mundo e essa tradição tem início na atuação de um de seus fundadores, o cardiologista Euryclides de Jesus Zerbini, o primeiro cirurgião brasileiro a realizar um transplante de coração na América Latina, apenas seis meses depois do pioneiro em cirurgias do gênero no mundo, o sul-africano Christian Barnard. Zerbini morreu de câncer, em 23 de outubro de 1993, aos 81 anos, no próprio hospital que ajudou a fundar.