Semana Nacional de Doação de Órgãos usa sobrenomes para estimular o ato voluntário

     Ação ajudará a dar um passo importante na conscientização dos brasileiros sobre a importância de doar órgãos

     Na Semana Nacional de Doação de Órgãos, que teve início no dia 24 e vai até 30 de setembro, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), aposta em uma campanha bastante simples para sensibilizar as pessoas sobre a importância de avisar aos familiares do desejo de ser doador de órgãos, ainda um tabu entre as famílias. O conceito da ação é baseado em uma coisa comum entre muitos brasileiros, o sobrenome.

    Você já parou para pensar quantas pessoas no Brasil e no mundo possuem o mesmo sobrenome? Certamente existem vários Souzas, Lopes, Silvas, Pachecos, Oliveiras, citando alguns dos mais comuns; Nakamuras, Yamamotos, Watanabes, descendentes da grande comunidade nipônica que temos por aqui; além dos sobrenomes italianos, alemães e de outras nacionalidades que compõem nosso imenso e diversificado país. E justamente pensando nesta similaridade de sobrenomes de diversas famílias, sem que exista relação de parentesco entre elas, e na necessidade que existe em avisar os familiares sobre o desejo de ser doador de órgãos, que a ABTO investe em uma ação de engajamento para conscientizar a população sobre a falta de doadores.

     O objetivo é estimular que as pessoas viralizem a hashtag #SouDoadorDeÓrgãos, usando suas redes sociais para marcar parentes, amigos e desconhecidos que compartilhem de seu mesmo sobrenome. Assim, uma @andrade vai marcando outra; um @gomes leva a informação a um primo ou uma desconhecida e, dessa forma, o engajamento vai se formando chamando as pessoas a saberem mais sobre o assunto em www.abto.org.br

    Para ajudar a disseminar a ação, criada pela agência Leo Burnett Tailor Made, estão sendo convidadas personalidades com grande engajamento em suas redes sociais, como celebridades, músicos, artistas e influenciadores digitais. A cantora Wanessa Camargo https://www.instagram.com/wanessa abraçou a causa e está convidando os outros @camargo em seus universos nas redes sociais a seguirem o mesmo exemplo. Em apenas um dia de postagem, o post já está chegando a 40 mil visualizações.

 

“A doação de órgão ainda é preocupante e relativamente pequena perto das reais necessidades do Brasil. A principal dificuldade para o aumento do número de doadores é, exatamente, o baixo nível de informação sobre o assunto. Ter as pessoas disseminando essa ideia através de seus sobrenomes nos ajuda significativamente a impactar, através de um ato tão simples, sobre a importância da doação de órgãos. Apostamos na adesão da sociedade para tornar essa espera por um órgão menos longa e dolorosa”, afirma, Roberto C. Manfro, Presidente da ABTO. 

Tabu

    A corrente lançada pela ABTO chama atenção para os números no Brasil, mas principalmente para a falta de cultura da doação. O assunto ainda é tabu para muitas pessoas e esse estigma precisa ser quebrado. De acordo com o relatório anual da ABTO com estatísticas sobre a doação de órgãos no Brasil, hoje, no país, existem mais de 30 mil pessoas na fila à espera de um transplante e outras centenas de milhares estão espalhadas por todo o mundo. De 2015 para 2016, o Brasil obteve aumento de 3,5% nas doações, atingindo 14,6 doadores por milhão de população (pmp). Mas embora este resultado seja favorável, houve leve redução na recusa familiar no país, o que mantém o índice de rejeição ainda alto. Atualmente, 43% das famílias brasileiras entrevistadas não autorizam a doação dos órgãos. 

     A Associação Brasileira de Transplante de órgãos é uma sociedade médica, civil e sem fim lucrativo, que tem por finalidade estimular o desenvolvimento de todas as atividades relacionadas com os transplantes de órgãos no Brasil e congregar os profissionais e as entidades envolvidas com ou interessadas em transplante de órgãos. A instituição contribui também para o estabelecimento de normas, criação e aperfeiçoamento de legislação relacionada com transplante de órgãos, além de estimular a criação bancos de órgãos e tecidos, serviços de identificação de receptores.